Hoje falarei de um dos componentes mais bizarros de nosso universo: os buracos-negros. Desde que Newton formulou sua famosa Lei da Gravitação, que é conhecida a relação que rege a atração gravitacional entre duas massas a uma dada distância. Dessa fórmula, pode-se inferir também a velocidade mínima que um objeto a determinada distância de uma grande massa deve ter para conseguir escapar completamente de seu campo gravitacional, denominada velocidade de escape. Só que, de acordo com a Relatividade Especial de Einstein, há um limitante superior para a velocidade relativa entre dois corpos quaisquer: a velocidade da luz. Portanto, conclui-se que, se existir uma quantidade de matéria pesada e densa, de forma que, se um corpo estiver suficientemente próximo a ela, sua velocidade de escape seja superior à da luz, então, até uma certa distância, não haverá nenhum tipo de matéria ou onda capaz de escapar desse campo gravitacional. Essa é a definição de buraco-negro, e o volume do universo no qual a velocidade de escape é maior que a da luz é denominado horizonte de eventos do buraco-negro. Uma das implicações dessa característica é que nós nunca seremos capazes de descobrir o que acontece dentro de um buraco-negro, pois se um astronauta fosse enviado para lá com um transmissor, as ondas de rádio, que se movem à velocidade da luz, não conseguiriam escapar da atração do buraco-negro.
No mundo das relações humanas, existem determinadas pessoas que são verdadeiros buracos-negros, devido a seu grande poder de atração, que faz com que, mesmo se tentarmos ficar longe delas com a maior rapidez possível, mais cedo ou mais tarde estaremos sendo atraídos de volta para seu convívio. São aqueles familiares, amigos e amores que, por mais que ocorram desavenças que nos afastem, nos atrairão de volta após um intervalo de tempo finito. E, muitas vezes, essas pessoas que nos são caras têm outra característica dos buracos-negros: é impossível saber com certeza o que se passa em seu interior. São essas personalidades magnéticas e enigmáticas que fazem com que a nossa história diária de convivência interpessoal seja extremamente fascinante. Podemos explorar cada faceta de nossos entes queridos como se fôssemos detetives, mas sempre haverá fantásticas surpresas. Todos os seres humanos capazes de afeto atuam como buracos-negros para alguns outros, e geralmente o fenômeno é mútuo. São essas curvaturas do espaço-tempo emocional que tornam maravilhosa a interdependência humana.
Um comentário:
Esse foi o post que mais gostei!
Eu tenho alguns buracos-negros na minha vida... Você por exemplo!
Mas o que se deve fazer é, já que se gosta da pessoa, aprender a respeitar e entender seu jeito de ser, assim viverão em paz!
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