segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Princípio da Incerteza do Comportamento Humano

Eh, blog parado, agosto já está acabando e este é o primeiro post do mês! Bem, vou começá-lo escrevendo sobre um evento acontecido neste mês que atraiu a atenção de todo o mundo: as Olimpíadas de Pequim. A chave da discussão de hoje é o fraco desempenho dos ginastas brasileiros que entraram nessa olimpíada como favoritos: Diego Hypólito e Jade Barbosa. Esse fato lembrou a época em que eu fazia ginástica olímpica (fiz durante seis meses, aos treze anos de idade): eu sempre me saía bem melhor quando não tinha ninguém olhando. Tá certo que não se pode comparar uma ginastazinha amadora como eu com os melhores ginastas do Brasil, mas ambas as situações são exemplos de como a pressão psicológica influencia no desempenho de um atleta, principalmente em um esporte difícil como esse. Fazendo meu costumeiro paralelo com as ciências físicas, esse é um exemplo de resultado que é alterado pela observação externa, que é o que acontece quando se tenta observar o movimento de partículas em escala atômica. Como não se pode saber a posição de, por exemplo, um elétron sem se fazer esse tipo de observação, essa é a origem do Princípio da Incerteza de Heisenberg, sobre o qual já escrevi no post "Teoria quântica do livre arbítrio", e que determina um limite para a precisão com a qual se pode conhecer simultaneamente a posição e a velocidade de um corpo. Voltando ao plano humano, muitas vezes o comportamento de uma pessoa depende de quem a está observando no momento. Por exemplo, uma pessoa pode ser especialmente dócil com seus familiares e amigos e se tornar um "troglodita" na presença de estranhos. Ou, como eu, ser extrovertida com pessoas íntimas e cautelosa com simples conhecidos. Isso faz com que seja difícil uma pessoa conhecer plenamente a personalidade de outra, visto que, como ocorre com as partículas atômicas, seu comportamento é alterado pela observação. Por exemplo, quando estou longe da minha família, me comporto de forma mais independente do que quando estou perto dos meus pais, o que faz com que eles não conheçam totalmente meu comportamento. O mesmo acontece com casais de namorados que, quando se casam, surpreendem-se com os defeitos de seus cônjuges. Mais bizarros ainda devem ser os comportamentos das pessoas quando estão sozinhas, e esses são impossíveis de se descobrir exatamente porque recaem no mesmo caso dos elétrons de Heisenberg: são completamente alterados pela observação. Como diz o refrão da música "Quatro Vezes Você", do Capital Inicial: "O que você faz quando ninguém te vê fazendo? E o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?" Portanto, a personalidade real de uma pessoa é muito diferente da enxergada por outras pessoas, e mesmo a opinião dessas pessoas pode divergir, visto que cada um afeta os outros de modo diverso.

sábado, 26 de julho de 2008

Sistemas de controle emocionais

Olá!!! Hoje, farei uma comparação entre um assunto muito importante das engenharias elétrica, mecânica e afins e a maneira como nossas emoções funcionam. Estou falando da Teoria de Controle. E, como não poderia deixar de ser, o exemplo que darei de um dispositivo sujeito a sistemas de controle é o próprio avião. Como o nome diz, eles são necessários para controlar a atitude do avião em seus diversos regimes de vôo: decolagem, subida, cruzeiro, descida e pouso. Nos aviões modernos, muitas dessas fases são controladas eletronicamente. Mas em todos os tipos de aviões, é preciso usar sistemas de controle, nem que sejam simplesmente mecânicos ou mecânico-hidráulicos. Por exemplo, se o piloto desejar levantar o nariz do avião, ele puxa o manche, e os sistemas de controle conectados são responsáveis pela execução da vontade do piloto. Só que, dependendo da qualidade do sistema e da construção do próprio avião, uma mudança nos controles pode acarretar uma oscilação indesejada que demore a se estabilizar ou, pior, uma divergência que leve a um aumento indesejado das cargas sobre a estrutura que cause seu colapso. É por isso que é muito importante o trabalho dos engenheiros aeronáuticos de estabilidade e qualidade de vôo. Um sistema de controle mal-projetado pode levar à ruína um projeto aeronáutico. Além disso, é relevante o estabelecimento de derivadas de estabilidade adequadas, as quais são inerentes à configuração da aeronave. Dessa forma, é estabelecida uma mudança de estado que não seja divergente, nem excessivamente oscilatória, nem brusca, para que nem a estrutura nem os passageiros sofram conseqüências indesejadas do acionamento de um controle.
Funciona do mesmo modo a resposta do ser humano a mudanças em sua rotina. Há pessoas que, ao receber uma notícia extremamente boa ou ruim, têm estabilidade emocional suficiente para se adaptarem às suas novas condições com facilidade. Já outras, quando se deparam com uma mudança inesperada, podem entrar em um surto de felicidade ou tristeza incompatíveis com a sua natureza, que podem levá-la a comportamentos irracionais, como a autoconfiança excessiva, no caso de mudanças positivas ou a depressão, no caso de mudanças negativas. Tudo depende da qualidade do sistema de controle de emoções embutido em cada um. Ou, no caso de algumas calamidades, pode haver uma oscilação, como uma descarga de adrenalina no início da perturbação, até que a pessoa aja para resolver a situação da melhor forma possível e, em seguida, ocorra uma queda de hormônios que também cause a depressão. Parece que, assim como os impulsos elétricos ou mecânicos são os agentes no controle de máquinas, os hormônios são os agentes no controle emocional dos seres humanos. Basta verificar que, após um exercício físico, as endorfinas liberadas levam a uma sensação de bem-estar. Ou que, quando se está com a pessoa amada, a ocitocina causa um prazer indescritível. Ou que algumas mulheres têm TPM, causada por seus ciclos de hormônios femininos.
Cabe a nós lidar com emoções da melhor forma possível, sendo senhores delas e não escravos. Não estou dizendo para nos tornarmos insensíveis, apenas para aprendermos a controlá-las de forma que não nos causem efeitos indesejados, como os de um sistema de controle mal-projetado em um avião.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Buracos-negros humanos

Hoje falarei de um dos componentes mais bizarros de nosso universo: os buracos-negros. Desde que Newton formulou sua famosa Lei da Gravitação, que é conhecida a relação que rege a atração gravitacional entre duas massas a uma dada distância. Dessa fórmula, pode-se inferir também a velocidade mínima que um objeto a determinada distância de uma grande massa deve ter para conseguir escapar completamente de seu campo gravitacional, denominada velocidade de escape. Só que, de acordo com a Relatividade Especial de Einstein, há um limitante superior para a velocidade relativa entre dois corpos quaisquer: a velocidade da luz. Portanto, conclui-se que, se existir uma quantidade de matéria pesada e densa, de forma que, se um corpo estiver suficientemente próximo a ela, sua velocidade de escape seja superior à da luz, então, até uma certa distância, não haverá nenhum tipo de matéria ou onda capaz de escapar desse campo gravitacional. Essa é a definição de buraco-negro, e o volume do universo no qual a velocidade de escape é maior que a da luz é denominado horizonte de eventos do buraco-negro. Uma das implicações dessa característica é que nós nunca seremos capazes de descobrir o que acontece dentro de um buraco-negro, pois se um astronauta fosse enviado para lá com um transmissor, as ondas de rádio, que se movem à velocidade da luz, não conseguiriam escapar da atração do buraco-negro.
No mundo das relações humanas, existem determinadas pessoas que são verdadeiros buracos-negros, devido a seu grande poder de atração, que faz com que, mesmo se tentarmos ficar longe delas com a maior rapidez possível, mais cedo ou mais tarde estaremos sendo atraídos de volta para seu convívio. São aqueles familiares, amigos e amores que, por mais que ocorram desavenças que nos afastem, nos atrairão de volta após um intervalo de tempo finito. E, muitas vezes, essas pessoas que nos são caras têm outra característica dos buracos-negros: é impossível saber com certeza o que se passa em seu interior. São essas personalidades magnéticas e enigmáticas que fazem com que a nossa história diária de convivência interpessoal seja extremamente fascinante. Podemos explorar cada faceta de nossos entes queridos como se fôssemos detetives, mas sempre haverá fantásticas surpresas. Todos os seres humanos capazes de afeto atuam como buracos-negros para alguns outros, e geralmente o fenômeno é mútuo. São essas curvaturas do espaço-tempo emocional que tornam maravilhosa a interdependência humana.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Inércia sentimental

Hoje deixarei de lado a física moderna, com Schrödinger e seu gato morto-vivo, para explorar uma das leis básicas da física clássica elementar: a 1ª Lei de Newton, que descreve o conceito de inércia, ou seja, a resistência à mudança de estado. Segundo essa lei, um corpo que está parado ou em movimento retilíneo uniforme tenderá a permanecer nesse estado a menos que uma força externa atue sobre ele. Agora, traçando meu costumeiro paralelismo entre as ciências físicas e as humanidades, pode-se notar que diversos comportamentos humanos são também governados pela inércia. Por exemplo, a mania que todo mundo tem de querer sempre dormir tarde e acordar tarde. Quando chega a noite, nosso corpo está habituado à ação e sempre queremos prolongar um pouco mais nosso dia ativo. Já de manhã cedo, quando acordamos, é comum querer "só mais cinco minutinhos" na cama. Outro tipo de inércia é a que ocorre quando nos habituamos a determinada rotina e, quando acontece algo diferente, sentimo-nos ligeiramente desambientados, e é necessário um tempo de adaptação. Mas a inércia humana mais comum é a inércia sentimental, que pode ser descrita pela nossa resistência a mudar de sentimentos em relação a determinadas pessoas. Tendemos a nos prender sempre às mesmas amizades e, quando alguma é rompida, sentimo-nos mal. A mesma coisa vale para relacionamentos amorosos, pois, de acordo com Luís Fernando Veríssimo, "um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance". Muitas vezes, a sensação é parecida com a de passageiros em um carro constantemente submetido a curvas e acelerações, tem-se um desconforto ao mudar de estado físico, no caso do carro, ou sentimental, no caso de amizades e amores rompidos. Além disso, para algumas pessoas, particularmente as mais introvertidas, como eu, é difícil criar novas amizades, o que caracteriza outro aspecto da inércia sentimental. Infelizmente, ela também ocorre com sentimentos de antipatia, quando "não vamos com a cara de alguém", é difícil se aproximar da pessoa para conhecer elementos que mudem essa opinião.
Muitas vezes, para combatermos a inércia sentimental, é necessária uma "força externa", tal como descrita na 1ª Lei de Newton. Por exemplo, família e amigos íntimos, para superar dores causadas por algum tipo de hostilidade de alguém a quem se quer bem. E, mais importante, é preciso se espiritualizar, já que a crença em um Deus cujo amor supera todas as formas imagináveis de amor entre seres humanos é capaz de fazer milagres em um coração ferido. E também utilizar nossa própria força para ajudar outras pessoas, mesmo as que não conhecemos, pois é dando amor que se obtém amor. Dessa forma, trabalha-se para obter a sinergia derivada da coesão social, que transforma um grupo de pessoas em um sistema mais desenvolvido que a soma das capacidades das pessoas isoladas.
Em muitos casos, a inércia sentimental é algo benéfico, pois causa a constância em relacionamentos. Mas é importante não confundir sentimentos de amor verdadeiro com sentimentos de apego, no qual se usa a outra pessoa como muleta para se evitar encarar a vida de frente. Para encará-la, é desejável ter uma certa flexibilidade, para não se deixar afetar pelas desvantagens da inércia sentimental, que existem assim como seus efeitos positivos.

domingo, 29 de junho de 2008

Teoria quântica do livre arbítrio

"Deus não joga dados", foi a famosa frase dita por Albert Einstein criticando a então recentemente descoberta Mecânica Quântica. Entretanto, na época, Werner Heisenberg descobriu seu famoso Princípio da Incerteza, que estabelece limites na precisão com a qual é possível determinar simultaneamente a posição e a velocidade de um corpo. Esse limite, para objetos macroscópicos, é desprezível, entretanto, é significativo em escala atômica. Portanto, de acordo com a Mecânica Quântica, não é possível, por exemplo, prever exatamente a posição de um elétron em um átomo, há apenas uma função de densidade de probabilidade para cada posição possível, ou seja, pode-se determinar apenas a localização mais provável, não a exata. Foi Erwin Schrödinger quem descobriu essa função, denominada Função de Onda de Schrödinger, e foi ele mesmo quem propôs uma maneira pela qual essa incerteza se estenderia para o mundo macroscópico. Suponha que um gato esteja preso em uma caixa-preta, na qual haja um núcleo radioativo e um frasco de gás venenoso e, que, de acordo com sua Função de Onda, haja 50% de probabilidade de esse núcleo decair em uma hora, acionando assim o frasco, cujo conteúdo mataria o gato instantaneamente. Então, após uma hora, o gato estaria 50% vivo e 50% morto. Mas o gato teria conhecimento de seu estado. Uma das possíveis interpretações para o paradoxo do gato de Schrödinger é que seu estado só faz sentido a partir da perspectiva de um observador. De acordo com o ponto de vista do gato, caso ele sobreviva, ele se sentirá 100% vivo todo o tempo. Já o elétron não tem esse estado de consciência. A questão que fica é: e se ao invés de um gato fosse uma mosca, ou uma ameba, ou um vírus? Qual é o limiar que determina o surgimento da consciência que transforma a Função de Onda de Schrödinger em um ponto isolado de certeza?
Uma outra questão que é inevitavelmente derivada dessa discussão é a eterna disputa entre as filosofias do positivismo e do determinismo. Enquanto o determinismo prega que as condições físicas do meio sempre determinarão todas as suas características, inclusive a personalidade e o destino de uma pessoa, o positivismo defende que todos nós somos agentes modificadores de nossa própria história. O determinismo foi defendido por muitos cientistas físicos da antigüidade devido à natureza material de todos os objetos, inclusive os seres vivos, porque toda a matéria estaria submetida às mesmas leis físicas. Entretanto, o surgimento da Mecânica Quântica, com seu enfoque probabilístico, abriu uma brecha no mundo físico para afirmar que nem todas as variáveis de um sistema estão univocamente determinadas por seu estado. Portanto, Deus joga dados, sim, já que Ele, felizmente, nos deu a capacidade de livre-arbítrio. O paradoxo do Gato de Schrödinger dá uma idéia do papel da consciência de um ser vivo para transformar um conjunto de probabilidades em uma certeza. Quem sabe não é essa mesma consciência que é capaz de escolher um determinado futuro para si mesma, entre todos os futuros possíveis e prováveis? Quem sabe não é essa a vitória do positivismo e, mais importante, dos seres humanos como vida inteligente e não como meros joguetes do destino?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Coesão: fator essencial para a sinergia de qualquer sistema

Palavra-chave do post de hoje: coesão. Isso, antes de mais nada, porque se não houvesse nenhuma força de coesão no mundo físico que conhecemos, seríamos um amontoado de quarks, léptons e mésons, as quais (até agora) são as partículas elementares da matéria. Primeiramente, devido à junção dessas partículas, temos os átomos, que formam as moléculas, que, devido às forças intermoleculares, formam a matéria que conhecemos. Além disso, um fantástico e complexo arranjo de moléculas dá origem a uma célula, menor unidade de vida, a qual, por sua vez, é um sublime milagre. E, em determinados casos, a coesão de muitas células forma um ser pluricelular, desde fungos até o magnífico ser humano, dotado de grande capacidade cognitiva. Os seres pluricelulares já são um caso de sinergia, a qual consiste em um sistema ser maior (nesse caso, mais desenvolvido) do que a soma de suas partes. Pode-se notar que, das menores partículas aos maiores sistemas, houve uma evolução do tipo de coesão, desde as forças nucleares até a coesão biológica. Agora, falarei do estágio mais evoluído de coesão: a coesão social, que ocorre entre organismos vivos distintos, particularmente os seres humanos. É bastante conhecida na psicologia a necessidade humana de relações interpessoais, e um elemento chave para a qualidade das mesmas é a empatia, ou seja, a capacidade de avaliar o sofrimento do outro. Assim como uma pancada em um objeto causa uma perturbação que reverbera em todas as suas partes coesas, e um olho é capaz de chorar a dor da unha do dedão do pé, o sofrimento de um ente querido é capaz de nos fazer mover montanhas para aplacá-lo. E é isso que nos torna um sistema mais desenvolvido do que um ser humano isolado, e as relações interpessoais, quando saudáveis, tornam-se um poderoso instrumento de sinergia. Já sentimentos de mágoa e rancor, ao contrário, são trementos obstáculos a uma vida feliz. Historicamente, pessoas com casos extremos de maldade, como Hitler, que se suicidou, tiveram vidas bastante insatisfatórias. Assim como a saúde biológica de um ser vivo depende de relações harmônicas entre suas células, a saúde emocional de um grupo de pessoas depende de relações harmônicas entre seus membros. Caso surja um intruso, como partículas resultantes de radioatividade, no caso de matéria inanimada, ou um microorganismo patogênico, no caso de um ser vivo, ou uma hostilidade entre pessoas, no caso de um grupo social, o sistema caminha para o colapso.
Se o meu leitor analisar o assunto tratado neste post e o do post anterior, nota um antigo sonho meu: o de criar a Teoria de Tudo, não apenas a da física, mas a Teoria de TUDO MESMO, que unifica as ciências físicas com as biológicas e as humanas. Diversos fenômenos físicos têm equivalentes humanos. Como dito no outro post, o significado original da palavra inglesa stress é tensão, no sentido mecânico da palavra: quando uma estrutura é submetida a esforços. Já no campo humano, as pressões (outra palavra de sentido original físico que tem seu equivalente humano) do dia-a-dia podem funcionar como esforços que, caso a pessoa não tenha grande resistência física e emocional (equivalentes à resistência mecânica dos materiais), pode causar diversas doenças somáticas e psíquicas. Outro exemplo é a relação por mim mencionada no post anterior entre a segunda lei da Termodinâmica e os efeitos devastadores da preguiça. Acho que voltarei à Teoria de Tudo em outros posts, visto que é uma idéia que me atrai. Quem sabe meus leitores não teriam outros exemplos?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Bateria sobrecarregada

Em que contextos se aplica a palavra "sobrecarregado"? Pode-se aplicá-la em seu sentido mecânico, como o de uma estrutura submetida a esforços acima de sua capacidade, ou a um sistema elétrico submetido a voltagens da mesma forma. Da mesma forma, pode-se descrever assim uma pessoa estressada com muitas responsabilidades. Em todos esses casos, a palavra-chave é alta tensão, cuja tradução em inglês, muito propriamente, é stress. Paradoxalmente, porém, usarei essa palavra para um caso totalmente oposto: o de alguém que passa os dias no ócio, após ter passado por uma faculdade muito estressante. Eu me sinto sobrecarregada, não carregada de tensão, mas sim, com muita energia acumulada e vontade de extravasá-la fazendo algo de útil. O gasto de energia é intrínseco à natureza de todos os sistemas biológicos e físicos existentes, ou seja, o mundo é dinâmico!!! Quem não se movimenta chega ao colapso, seja por não trabalhar para conseguir o pão de cada dia, ou por deixar que outros façam isso por si e se tornar um simples e inútil sorvedouro de energia, ou por ser sedentário e estar sujeito às doenças do sistema circulatório. A própria necessidade humana de atividade física para preservar sua saúde é um indício da veracidade dessa afirmação: os seres dinâmicos são mais fortes e adaptados às intempéries do ambiente. E, de acordo com Darwin, os mais fortes são os que sobrevivem. E, para isso, precisamos construir nossa própria história utilizando nosso próprio esforço. Segundo John Locke, personagem de Lost, o bicho-da-seda batalha para sair do casulo, e ele (Locke) poderia poupar o inseto de sua árdua tarefa abrindo para ele seu casulo. Entretanto, caso isso fosse feito, a larva seria extremamente fraca e não sobreviveria. No meu caso, pelo menos estou fazendo atividades físicas: natação três vezes por semana e eu bem que gostaria de ter aqui comigo minha inseparável companheira de mais de seis anos: minha bicicleta, que foi roubada recentemente. E sinto um certo orgulho de ter construído minha própria história, ter corrido atrás dos meus sonhos. Mas isso é uma luta que não tem fim, todos nós estamos em constante processo de transformação e devemos trabalhar para que o hoje seja sempre melhor do que o ontem e o amanhã, ainda melhor do que o hoje. De acordo com a segunda lei da Termodinâmica, a inércia leva ao aumento de desordem, portanto, a manutenção de uma vida ordenada e harmoniosa é resultado do esforço diário.

sábado, 21 de junho de 2008

Como cozinhar batatas no microondas

Qual a semelhança entre um cozinheiro e um engenheiro? À primeira vista, apenas o final das palavras. Entretanto, muitas vezes, para cozinhar, deparamo-nos com complicados problemas de transferência de calor relativos ao tempo de cozimento dos alimentos. Cozinhar me lembra um episódio ocorrido em 2005, época que eu ainda estava fazendo meu curso em São José dos Campos. Morando sozinha, a gente aprende a se virar de diversas formas, e de vez em quando, eu cozinhava uma batata no microondas. Levava sete minutos para assar, visto que o meu microondas era meio fraquinho. Até que um dia, chamei um grande amigo meu e excelente engenheiro aeronáutico (na época estudante), para provar a minha deliciosa batata. Para ganhar tempo, decidi cozinhar as duas batatas simultaneamente no microondas. O que configurou um problema de engenharia: se uma batata leva sete minutos para cozinhar, quanto tempo levarão duas batatas? Isso não é um simples problema de multiplicação, e a resposta está entre dois extremos: se as duas batatas fossem apenas pontos materiais, sem influência da área de contato entre as batatas e as microondas, a resposta seria catorze minutos. Entretanto, se a energia do microondas fosse infinita, as batatas levariam os mesmos sete minutos, visto que a relação àrea de contato/volume é a mesma (considerando que as batatas sejam iguais). Portanto, como nenhuma dessas hipotéticas situações ocorre, a solução é um valor intermediário. Como eu estava com preguiça de calcular e engenheiro adora utilizar uma média, usei a média entre os dois resultados: dez minutos e meio. Na realidade, as batatas ficaram um pouco menos cozidas que o normal, o que mostra que o problema não é assim trivial, mas isso serve para ilustrar a presença da física no nosso dia-a-dia (principalmente o dia-a-dia de quem tem que tomar conta de casa). A química está também muito presente, quem não se lembra dos sabões, com sua cauda lipossolúvel e seu núcleo hidrossolúvel, que fazem a fantástica mistura de água com gordura, base para toda a limpeza elementar? Eu poderia ficar aqui horas divagando, mas não pretendo me estender, para que um diploma de curso de exatas não se torne pré-requisito para empregadas domésticas (já está tão difícil arrumar emprego hoje em dia, não quero dificultar ainda mais).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ando meio desligada

Ando tão feliz ultimamente que estou até um pouco desligada!!! E quem não estaria feliz tendo uma família maravilhosa e uma profissão também espetacular? Mesmo que eu tenha que optar por apenas uma das duas coisas que me deixam mais contente (afinal, oportunidades de emprego em Aeronáutica estão longe daqui de Brasília, casa da minha família), agradeço a Deus por tudo o que ele me deu. Como, por exemplo, a porcentagem de 21% de oxigênio na atmosfera, sem a qual nem eu nem nenhum ser humano teria uma vida satisfatória (oxigênio em falta causa asfixia e, em excesso, acelera o envelhecimento). Adoro meus pais, minhas irmãs, meus amigos, meu cachorro (mesmo que ele tenha sumido faz alguns meses), mas não descarto oportunidades para novos vôos profissionais (sem trocadilho). Meus leitores, é com um profundo otimismo, esperança e encanto pela vida que inauguro este blog, e espero tê-los também contagiado!!!