sexta-feira, 12 de junho de 2009

Erros estacionários de tentações da carne

Olá, leitores! Durante esse longo tempo sem atualizar o blog, estive revisando a matéria do curso de Engenharia Aeronáutica, e o assunto deste post, já tratado anteriormente com outro enfoque, é a Teoria de Controle. Para os leigos no assunto, basta dizer que um sistema de controle serve para tornar possível controlar um sistema mecânico, elétrico, fluídico, térmico, ou de alguma outra natureza física ou abstrata (como no caso da economia), por meio de comandos dados por um operador. No caso da Aeronáutica, esse sistema é o avião, mas no caso deste post, esse sistema é a nossa vida.
Sempre que um piloto dá um comando, o comportamento do avião pode ser dividido em duas partes: a resposta transitória, referente às oscilações de curta duração e a resposta estacionária, que é o estado permanente, no qual o avião permanecerá até que haja mudança de comando ou perturbação externa. Na nossa vida, sempre que tomamos alguma decisão, ela tem conseqüências de curto prazo e de longo prazo. Apesar de a análise de resposta transitória ter uma certa importância no projeto de sistemas de controle (para evitar sobrecarga estrutural e desconforto dos passageiros em seu intervalo de duração), a característica essencial que confere controlabilidade ao sistema é a resposta estacionária, que deve corresponder ao estado desejado dado o comando do piloto.
Na vida cotidiana, nem sempre podemos prever os resultados de longo prazo de nossas atitudes, e a razão para isso é que, enquanto o sistema de controle de um avião lida com seis variáveis (graus de liberdade, na terminologia matemática), na vida o número de "variáveis" que pode alterar as conseqüências de uma decisão é praticamente infinito. Mas muitas vezes é possível fazer uma análise de "pólos dominantes" e selecionar alguns poucos parâmetros de influência mais importantes. Um desses parâmetros é a integridade de caráter. E, de acordo com a Bíblia, uma pessoa que viveu plenamente essa integridade foi Jesus Cristo. Não importa qual seja a sua crença, se você fizer uma análise minuciosa e imparcial dos evangelhos verá que as atitudes de Cristo resultam em ótimas respostas estacionárias ou, em português claro, trazem muito boas conseqüências em longo prazo. Por exemplo, quando você demonstra amor ao próximo sem desejar nada em troca, você cresce como pessoa e se torna emocionalmente mais forte para lidar com seus próprios problemas. E aqueles a quem você ajudou podem vir a lhe retribuir quando você menos esperar, configurando assim um círculo virtuoso.
Na contramão desse pensamento vêm as tentações e os pecados, que são exemplos de ótimas respostas transitórias e péssimas respostas estacionárias. Não é preciso nem ir muito longe, basta analisar os sete pecados capitais: o orgulho, a avareza, a inveja, a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Examinando os dois últimos: a gula proporciona certo prazer em um curto intervalo de tempo, mas pode causar efeitos desastrosos na saúde. E, se a preguiça impedir um aluno de estudar adequadamente, ele gozará de maior conforto durante o tempo em que deveria estar estudando, mas terá seu futuro acadêmico e profissional comprometido. Há exemplos parecidos relacionando todos os pecados, o que mostra que agir contrariamente à integridade de caráter gera um erro na resposta estacionária, ou seja, o rumo que a vida da pessoa toma é diferente do considerado necessário para uma boa qualidade de vida. Basta olhar para as mazelas sociais, como criminalidade, drogas, promiscuidade, famílias desestruturadas por divórcios, delinqüência infantil e juvenil, etc, etc e etc.
Por isso, apesar de a controlabilidade de nosso destino não ser absoluta, ela é suficientemente alta para que boas escolhas façam toda a diferença. Cabe a cada um decidir pela qualidade de vida a longo prazo, mesmo que isso às vezes seja a "escolha difícil".

3 comentários:

Adriana disse...

SEMPRE vai ser a "escolha difícil"...

Unknown disse...

Eu já disse para vc escrever um livro, o que está esperando?

Unknown disse...

Primeira vez que vejo alguem juntar engenharia com comportamento humano dessa maneira.
A logica dos argumentos e as analogias feitas sao, na minha opiniao, perfeitas.
Realmente se voce escrever mais alguns textos desses e juntar num livro, vai estar dando uma boa contribuicao a filosofia