"Deus não joga dados", foi a famosa frase dita por Albert Einstein criticando a então recentemente descoberta Mecânica Quântica. Entretanto, na época, Werner Heisenberg descobriu seu famoso Princípio da Incerteza, que estabelece limites na precisão com a qual é possível determinar simultaneamente a posição e a velocidade de um corpo. Esse limite, para objetos macroscópicos, é desprezível, entretanto, é significativo em escala atômica. Portanto, de acordo com a Mecânica Quântica, não é possível, por exemplo, prever exatamente a posição de um elétron em um átomo, há apenas uma função de densidade de probabilidade para cada posição possível, ou seja, pode-se determinar apenas a localização mais provável, não a exata. Foi Erwin Schrödinger quem descobriu essa função, denominada Função de Onda de Schrödinger, e foi ele mesmo quem propôs uma maneira pela qual essa incerteza se estenderia para o mundo macroscópico. Suponha que um gato esteja preso em uma caixa-preta, na qual haja um núcleo radioativo e um frasco de gás venenoso e, que, de acordo com sua Função de Onda, haja 50% de probabilidade de esse núcleo decair em uma hora, acionando assim o frasco, cujo conteúdo mataria o gato instantaneamente. Então, após uma hora, o gato estaria 50% vivo e 50% morto. Mas o gato teria conhecimento de seu estado. Uma das possíveis interpretações para o paradoxo do gato de Schrödinger é que seu estado só faz sentido a partir da perspectiva de um observador. De acordo com o ponto de vista do gato, caso ele sobreviva, ele se sentirá 100% vivo todo o tempo. Já o elétron não tem esse estado de consciência. A questão que fica é: e se ao invés de um gato fosse uma mosca, ou uma ameba, ou um vírus? Qual é o limiar que determina o surgimento da consciência que transforma a Função de Onda de Schrödinger em um ponto isolado de certeza?
Uma outra questão que é inevitavelmente derivada dessa discussão é a eterna disputa entre as filosofias do positivismo e do determinismo. Enquanto o determinismo prega que as condições físicas do meio sempre determinarão todas as suas características, inclusive a personalidade e o destino de uma pessoa, o positivismo defende que todos nós somos agentes modificadores de nossa própria história. O determinismo foi defendido por muitos cientistas físicos da antigüidade devido à natureza material de todos os objetos, inclusive os seres vivos, porque toda a matéria estaria submetida às mesmas leis físicas. Entretanto, o surgimento da Mecânica Quântica, com seu enfoque probabilístico, abriu uma brecha no mundo físico para afirmar que nem todas as variáveis de um sistema estão univocamente determinadas por seu estado. Portanto, Deus joga dados, sim, já que Ele, felizmente, nos deu a capacidade de livre-arbítrio. O paradoxo do Gato de Schrödinger dá uma idéia do papel da consciência de um ser vivo para transformar um conjunto de probabilidades em uma certeza. Quem sabe não é essa mesma consciência que é capaz de escolher um determinado futuro para si mesma, entre todos os futuros possíveis e prováveis? Quem sabe não é essa a vitória do positivismo e, mais importante, dos seres humanos como vida inteligente e não como meros joguetes do destino?
3 comentários:
Parabéns!
Esse texto é o que eu sempre quis ler a respeito da perfeita harmonia entre religião e ciência!
Valeu!
Olá, Aline :)
Muito legal saber que você tem um blog, afinal sempre admirei seu estilo de escrita e seus raciocínios lógicos :)
Gostei bastante do post de Schröedinger e o livre arbítrio. Ando lendo coisas muito legais sobre religião, vou tentar compartilhar com você. Um site extremamente interessante é o http://www.escrivaworks.org.br . E um livro extremamente recomendado é o
http://www.escrivaworks.org.br/book/caminho.htm
Veja o que você acha :)
Parabéns pelo Blog e pela formatura :)
que viagem
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